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quarta-feira, 6 de junho de 2012

O fim dos inocentes [2].

         A manhã ensolarada daquele dia lindo. O garoto queria por que queria brincar la fora. A mãe não deixava. Ele insistiu, coisa de criança. Para ele tudo estava dando certo naquele dia perfeito. Estava cedo ainda, mas seus amigos já brincavam la fora. Eram cerca de 7 horas. Queria brincar pela manhã pois a tarde teria que ir para a aula.
         A mãe, já chateada com o menino, o deixou brincar. Ele com toda a alegria de criança foi para fora e brincou. Se divertiu como costumava fazer em todas as segundas-feiras.
Não muito longe dali outra criança, um Little Boy, vinha para brincar, ou quem sabe estragar a brincadeira.

        As preocupações da época não afligiam o garoto. A tensão era presente em seu país e em vários outros no mundo. Mas guerra? Essa palavra o garoto de 9 anos jamais ouvira.

         Por volta das 8 horas da manhã, o garoto parou de correr e olhou para cima. Seu "sonho de consumo" passava por ali. Um avião! Só tinha ouvido falar que existiam veículos que voavam mais altos que montes enormes, mas daquele jeito ele nunca tinha visto. Ficou estupefato com a visão mágica daquele gigante de aço que cortava o céu. Os outros garotos que com ele estavam também olhavam e gritavam alegres, como se aquilo fosse algum tipo de presente. Eles se sentiam incomodados com um assovio que rondava o ar, porém, comparando áquela magnificência voadora, não era nada.

O Little Boy vinha para brincar também. Um clarão se deu e a memória do garoto se perdeu.

terça-feira, 5 de junho de 2012

O fim dos inocentes [1].

Noite, quase 3 da madrugada. Ratos andando no assoalho, uma correria sem direção e ritmo. Roncos altos, puxando o ar para dentro e em seguida expelindo. Suspiros vindo do quarto ao lado. Ele não conseguia dormir. Precisava, mas não conseguia.
Os suspiros aumentavam sem razão e logo após diminuiam. Estranho era tudo aquilo para ele mas ele tinha de aguentar.
De repente os suspiros viraram gritos. Uma língua desconhecida era falada.. Aquilo não importava mais. Os gritos pararam e o silêncio se instaurou no quarto escuro. A noite corria feito doida. Tanto que ele já nem mais sabia quantos dias estava ali.
Entrava em um estado de coma e logo voltava. Era como estar sozinho no vácuo escuro. De repente as vozes grossas e fortes voltaram. Abriram a porta com raiva e força. Gritaram alguma coisa naquela língua. Queriam algo, era óbvio. Ele não entendia, não sabia o que dizer. Eles o forçaram e ele não resistira. A tortura era absurda. Algo desumano. Mesmo não entendendo aquilo, acabou sucumbindo. Outra vítima de Auschwitz.